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Suicídio: um drama mundial e silenciado que clama aos céus

18 SET 2017
18 de Setembro de 2017

Falamos aqui a respeito da dramática realidade do suicídio, entre os profissionais da saúde, especificamente entre os profissionais médicos, em formação ou recém-formados. Esta problemática tem despertado preocupação em muitas partes do mundo e procura-se dar uma resposta a situação. Vejamos alguns dados preliminares a respeito da suicido no mundo segundo a Organização mundial da Saúde (OMS).

 

Estamos sempre diante de dramas pessoais e familiares que comovem e impressionam as pessoas. Quem passou pela experiência de uma tentativa e se “salvou” ou sobreviveu a ela como sendo um amigo ou parente próximo, as marcas para o resto da vida são indeleveis. O suicídio é um drama mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. Segundo a OMS, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida anualmente em todo o mundo, com uma morte a cada 40 segundos. Neste ranking mundial, a Índia, com uma população de 1.3 bilhões de seres humanos, lidera o número de mortes por suicídio, com 258 mil casos por ano.

 

Brasil ocupa o 8º. Lugar no ranking da OMS, com 31.507 casos de suicídio registrados entre 2012 a 2014, sendo que um brasileiro a cada 45 minutos se suicida. Estima-se que, para cada suicídio concretizado, entre 40 e 60 tentativas ocorrem em todo o planeta. Pela envergadura da tragédia a OMS a partir de 1999, considera a problemática em torno do suicídio, como caso de Saúde Publica. Desde então estabeleceu várias iniciativas de educação e conscientização para prevenção do problema, publicou vários documentos e guias especializados que estão ajudando a romper com o tabu e dar maior visibilidade ao tema, orientando tanto a sociedade em geral, quanto os profissionais da saúde em particular. Uma destas iniciativas promovida pela OMS e pela Associação Internacional para a prevenção do Suicídio, o de estabelecer o dia 10 de setembro, como o Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio. O dia Mundial de Saúde de 2017, a OMS escolheu como tema a depressão: vamos conversar? (Depression: Let´s talk?), que na sua forma mais grave, em muitas instancias está na raiz como causa de muitos casos de suicídio.

 

Muita gente não sabe, e nem imagina, que o suicídio pode ser prevenido, segundo a OMS, em 90% dos casos ele pode ser evitado, isto é nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Em muitas situações as pessoas são portadores de doenças mentais e nato tem condições de acesso e ajuda de profissionais especializados (psiquiatras, terapeutas, etc.) ou grupos de ajuda, ou aconselhamento anônimo de organizações tais como o CVV (Centro de valorização da Vida). Outros, quando passam por uma crise, vivendo sozinhos e como anônimos, não encontram ninguém de confiança com quem contar nesta hora.

 

Frente a este verdadeiro holocausto silencio, a responsabilidade das instituições de saúde, e particularmente instituições de saúde mental, aumento exponencialmente. Estas devem abordar esta temática com propriedade, com conhecimentos científicos e humanismo, vencendo os tabus e encarando o problema sem julgamentos preconceituosos. Isto não se consegue em educação, conscientização com informações esclarecedoras e assistência digna as pessoas necessitadas e perturbadas psiquicamente, buscam ajuda, num momento de crise ou intenso sofrimento psíquico.

 

A problemática do suicido entre nós é profundamente marcada por inúmeros preconceitos e tabus. Abundam julgamentos fáceis e em muitos casos, até preconceitos religiosos de condenação (“a pessoa está condenada ao inferno”), mas falta o que é mais importante: escuta atenta e compreensão. Nem rir, nem chorar, mas compreender e solidariamente se comprometer ajudando é o caminho a seguir! (continua)

 

* Padre Léo Pessini, doutor em Bioética, conferencista nacional e internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e exterior. É religioso camiliano e atualmente é o Superior Geral dos camilianos.

 

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